quinta-feira, 26 de março de 2009

"Parece ser, mas não é"

Colunas — O caminho do coração

Parece ser, mas não é

Ricardo Barbosa de Souza


O apóstolo Paulo sempre recomendou o autoexame. No final de sua segunda carta aos coríntios ele sugere: “Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos”. Tenho pensado ultimamente sobre o quão real e verdadeira é nossa fé. Não estou preocupado com nossas convicções, mas se a fé que temos em Cristo é viva, real e verdadeira.A cultura da aparência é uma das características mais cultuadas e criticadas da civilização pós-moderna. Acostumamo-nos a parecer aquilo que não somos. As imagens são retocadas; os currículos, maquiados; os entrevistados, treinados a dizer o que se espera deles. A tecnologia oferece cada vez mais recursos para isso.Hoje temos ferramentas capazes de criar uma falsa realidade, e o real se torna cada vez mais insuportável. Fazemos de tudo para maquiar a velhice, mudando inclusive seu nome: agora se chama “terceira idade”. A alegria deixou de ser um estado da alma e tornou-se um produto que se adquire nas prateleiras das farmácias, em consultórios e em clínicas especializadas.Nossa fé também sofre as consequências da cultura. Recentemente, eu meditava na pequena carta à igreja de Laodiceia no livro de Apocalipse, e me dei conta de que é uma igreja muito parecida com as que conheço. Percebi que, ao contrário das outras igrejas do Apocalipse, a de Laodiceia não tinha nenhum problema com as perseguições externas, nem com os falsos profetas -- seu problema era ela mesma.O diagnóstico que recebe é ela mesma quem dá: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma”. Não é necessário comentar sobre tal cidade e sua riqueza; detenho-me na relação entre a riqueza e a autossuficiência. Também não pretendo limitar o conceito de riqueza a algum padrão econômico, mas a um estado em que não criamos espaço para a dependência.Nossas igrejas são assim. Somos ricos de gente brilhante e talentosa. Somos ricos de ideias, de conhecimento, de recursos e tecnologias. Temos músicos competentes, professores bem preparados, recursos de multimídia, acesso às modernas técnicas terapêuticas, desenvolvimento humano, dinâmicas que incrementam nossos relacionamentos e espírito de equipe. Somos abastados e, se precisarmos de alguma coisa, será de um “upgrade” em algum dos itens acima.É claro que não há nenhum problema em ter pessoas talentosas e competentes na igreja. O problema está em “não precisar de coisa alguma”. Em outras palavras, o problema está em parecer que somos o que não somos. Laodiceia parecia rica, mas era pobre. Parecia conhecer tudo, mas era cega. Parecia bem vestida, mas estava nua. Parecia adorar, mas Cristo permanecia do lado de fora. Parecia que era, mas não era. É isto que a riqueza -- tecnológica, científica, intelectual etc.-- cria. Nossas igrejas pensam que boa música é sinônimo de boa adoração; que ter uma boa doutrina e uma boa pregação significa ter uma boa espiritualidade; e que, por terem bons programas e projetos, têm uma missão. Porém, uma coisa não implica outra.Por causa de sua riqueza e autossuficiência, Laodiceia tornou-se uma igreja morna. A mornidão é o estado de pessoas ou comunidades que não desejam nada, não sentem a ausência de nada, não buscam nada, não lutam por nada. Sentem-se confortáveis e acomodadas. O problema é que acreditam que já possuem tudo. É possível encontrar nessas igrejas muita gente animada, cantando e pulando, participando de projetos e programas; no entanto, o que há de real em tudo isso?Laodiceia simboliza a igreja moderna e abastada, sem consciência do que lhe falta, sem desejo, confortável e morna. Uma igreja que tem tudo, mas não tem nada. Nesse autoexame proposto por Paulo, concluo que nos falta uma identidade primária, aquela que nos é dada pelo Senhor, fruto da união com Cristo, da comunhão, da relação de amor e dependência sem a qual tudo mais é apenas ilusão, aparência de algo que não mais existe.
• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

AVISO IMPORTANTE!

Queridos Caminhantes:

Graça e Paz da parte do Eterno e do Mestre Jesus.

No próximo Domingo dia 22, em nosso Encontro Comunitário, contamos com a presença de todos os Caminhantes da Estação Santa Luzia, pois estaremos dando continuidade ao tema tratado em nosso último encontro, devido a sua importância, por alguns que por motivo maior não puderam permanecer até o final e por aqueles que não estiveram presentes por algum motivo especial.
Nosso objetivo é enfatizar qual é a consciência, proposta e objetivo de nossa Estação, a fim de que trilhemos pelo caminho correto, não desviando dessa tríade, evitando com isso, alguns possíveis erros que possamos vir a cometer em virtude de uma pré-consciência instalada, estabelecida a "séculos", incutida e condicionada em nossas mentes devido ao contexto ao qual estamos estabelecidos.
No mais, certo de poder contar a responsabilidade consciente da consciência de todos,

Nele, deu sua vida para que tivéssemos o privilégio de ter e viver a vida e o memento que vivemos hoje.

Que a Graça do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo seja com vocês e suas Casas.
Márcio Alebral

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A Instituição chamada "igreja evangélica" nos dias de hoje - A grande maioria

A igreja evangélica brasileira vive a séria conseqüência daquilo que semeou no século passado: um evangelho extremamente superficial, vazio existencialmente e ideologicamente, sem nenhuma proposta para esta sociedade economicamente injusta, socialmente e politicamente corrupta, violenta, que tem gerado incertezas e inseguranças. Neste contexto globalizado, do capital sem pátria, sem ética e excludente, a igreja vive um quadro social de falência de sonhos, de utopias, de valores materiais, de ausência de valores éticos e morais na família e em toda sociedade de forma geral.
Dentro de todo esse movimento, a igreja evangélica, para não perder espaço, sucumbiu a esta forte exigência do mercado pós-moderno, caindo na armadilha da competitividade, passando a apresentar um Jesus Cristo atraente, prometendo “salvação nos céus e prosperidade na terra”, que não exige nenhuma renúncia do “crente-cliente”.
Substituíram-se palavras como “sacrifício”, “pecado” e “arrependimento” por palavras como “decretar”, “conquistar” e “saquear”, numa verdadeira prestação de serviços religiosos.
Tendo que apelar para segurar os exigentes fiéis que constantemente mudam de igreja quando não estão satisfeitos, utilizam-se recursos como pregadores ungidos e comunicativos, a mídia, cultos bem produzidos, testemunhos de convertidos famosos (“profissionais do testemunho”, ou seja, quanto piores os pecados, maior o “ibope”), havendo, com isso, a inversão de valores. Mede-se a qualidade da igreja não mais pela santidade e seu papel profético, mas pelas leis do mercado, como produtividade, desempenho, faturamento e profissionalismo.
No afã de novidades, a igreja brasileira tornou-se refém de técnicas religiosas importadas e apostiladas. Infelizmente, em virtude desta cosmovisão e deste modelo, onde tudo é mágico e instantâneo, surge um modelo teológico e missiólogo pronto, “encaixotado”, sem reflexão e profundidade teológica, gerando rupturas, lutas pelo poder, maledicência, traições, expulsões e ressentimentos, ocasionados inimizades irreconciliáveis.
Diante disso, há cristãos sinceros e comprometidos, feridos, abalados e machucados com igrejas evangélicas, que permanecem firmes na fé, mas que não participam de nenhuma igreja. Alguns acabam retornando para um modelo de espiritualidade cristã clássica, alimentando-se de correntes antigas de igrejas históricas ocidentais e orientais, com práticas como meditação, o silêncio, votos, a oração do coração, mentoria e companheirismo cristão como alternativas para mercantilização do evangelho.
Devido a este processo deteriorante, a igreja distorceu os conteúdos da “Grande Comissão”, onde fazer discípulos de Cristo, seguidores e imitadores do seu modelo de vida, foi substituído pelo modelo empresarial neo-evangélico bem sucedido. O batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, juntamente com a compreensão deste ministério trinitário de relacionamento, tornou-se um batismo denominacional. O ensino a guardar todas as coisas que Jesus ensinou, ou seja, o aprofundamento contínuo na abrangência do discipulado restringiu-se apenas em pedir todas as coisas.
Destacam-se também, as enormes possibilidades de se desenvolver uma práxis evangélica contextualizada, dentro do cenário pós-moderno brasileiro, no intuito de se capacitar os cristãos evangélicos a expressarem claramente o evangelho, e a encarná-lo no contexto desta cultura, tornando-se um desafio para se viver em conformidade com o compromisso cristão em seu meio, e a viver intensamente o evangelho a uma geração que, cada vez mais, é pós-moderna em seu modo de pensar, agir, falar. Enfim, viver, exigindo-se que sejam explorados os contornos do evangelho neste contexto pós-moderno. Em virtude desta realidade, o presente trabalho analisará os desafios da práxis evangélica brasileira, mediante a absorção de valores pós-modernos, comparando-a com as influências negativas e positivas neste cenário de um propalado crescimento evangélico brasileiro, onde nenhum fator destas influências pode ser ignorado.
Márcio Alebral


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